Esse trocadilho, aparentemente simples, carrega uma grande verdade. Em muitas conversas com equipes de operações, automação, engenharia e outras áreas relacionadas à gestão de ambientes de OT (Tecnologia Operacional), percebo que, quando falamos sobre a possibilidade de ataques, a maior parte dos pensamentos está voltada para ameaças externas, direcionadas especificamente ao ambiente deles. No entanto, ao analisar relatórios de mercado, é possível perceber que a maioria dos incidentes em ambientes OT não envolve ataques direcionados, mas sim contaminações que, frequentemente, acontecem por meio de um e-mail phishing ou de hardware infectado, por exemplo. Ou seja, o atacante, muitas vezes, já está “dentro de casa”.
Embora a segurança cibernética e os conceitos de OT tenham sido amplamente discutidos e divulgados atualmente, ainda noto que muitas empresas carecem de uma conscientização mais aprofundada entre suas equipes. É preciso desfazer mitos como: “Meu ambiente de automação está isolado” ou “Não tenho conexão com a internet, portanto estou seguro”. Embora esses “controles” possam existir, sem a devida conscientização, brechas serão abertas, e os atacantes, muitas vezes vindos de dentro, poderão explorar e ampliar essas vulnerabilidades.
Para proteger verdadeiramente os ambientes de OT, é crucial que as empresas adotem uma abordagem holística de segurança, que inclua tanto controles técnicos quanto a conscientização constante de suas equipes. O maior desafio não está apenas na defesa contra ameaças externas, mas sim na preparação e educação interna para identificar, prevenir e mitigar riscos antes que se tornem incidentes graves. Em um mundo cada vez mais conectado, a segurança começa dentro de casa – e é aí que devemos concentrar nossos esforços.

